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Exercícios Clássicos sob o olhar da neurologia:
5 exercícios e o controle motor por trás deles

Karla Seleme
Por Karla Seleme
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Quando observamos o Pilates clássico ou os exercícios do repertório clássico a partir da neurologia do movimento, deixamos de olhar apenas formas e sequências e passamos a entender processos de organização neural.

Um mesmo exercício pode assumir funções completamente diferentes dependendo de como é ensinado, do foco atencional proposto e das estratégias de controle motor envolvidas.

A seguir, falarei sobre cinco exercícios clássicos do método Pilates, The Hundred, Roll up, Single Leg Circle, Spine Stretch Forward e Swan, e como cada um deles pode ser compreendido e conduzido a partir da ótica da neurologia/controle motor, sem alterar sua essência.


Infográfico: Pilates e o Cérebro - A Neurologia por Trás dos Exercícios Clássicos
Mapa visual: Como o cérebro organiza o movimento em cada exercício clássico.

1. The Hundred

Organização postural, respiração e atenção sustentada

The Hundred: Preparação inicial
The Hundred: Preparação inicial (Esboço)
The Hundred: Execução do exercício
The Hundred: Execução do exercício (Esboço)

O Hundred é frequentemente visto como um exercício de aquecimento e resistência. Sob o olhar da neurologia, ele se torna uma poderosa ferramenta de integração entre controle postural, respiração e atenção.

Do ponto de vista do controle motor, o exercício exige:

  • Estabilização do tronco frente à movimentação dos membros superiores
  • Coordenação respiratória rítmica
  • Manutenção de atenção sustentada ao longo do tempo

Olhar Neurológico

Neurologicamente, isso envolve ativação de circuitos responsáveis pelo controle antecipatório (feedforward), além da capacidade do sistema nervoso de manter um padrão estável sob demanda contínua. A forma como o exercício é conduzido determina se ele será apenas cansativo ou verdadeiramente organizador.

2. Roll Up

Sequenciamento motor e dissociação segmentar

Roll Up: Preparação inicial
Roll Up: Preparação inicial (Esboço)
Roll Up: Fase de subida
Roll Up: Fase de subida (Esboço)
Roll Up: Alongamento final
Roll Up: Alongamento final (Esboço)

O Roll Up é um exercício clássico de controle voluntário do movimento. Ele exige que o sistema nervoso organize a flexão da coluna em sua totalidade, mas de forma segmentada, respeitando uma sequência lógica e eficiente.

Sob o ponto de vista neurológico, o Roll Up trabalha:

  • Planejamento motor e sequenciamento
  • Dissociação entre segmentos corporais
  • Percepção do movimento no espaço (Propriocepção)

Olhar Neurológico

Mais do que “subir e descer”, o exercício desafia o cérebro a modular força, tempo e amplitude. Em contextos de reabilitação, o Roll Up pode ser adaptado para facilitar a reconstrução de padrões de mobilidade e consciência corporal.

3. Single Leg Circle

Controle do movimento distal sobre uma base estável

Single Leg Circle: Posição inicial
Single Leg Circle: Posição inicial (Esboço)
Single Leg Circle: Início do movimento
Single Leg Circle: Início do movimento (Esboço)
Single Leg Circle: Amplitude
Single Leg Circle: Amplitude (Esboço)
Single Leg Circle: Retorno
Single Leg Circle: Retorno (Esboço)

O Single Leg Circle é um exercício clássico de coordenação e controle fino. Neurologicamente, ele exige que o sistema nervoso controle um segmento móvel (a perna) enquanto mantém estabilidade proximal.

Esse exercício envolve:

  • Integração sensório-motora
  • Ajustes posturais constantes
  • Coordenação entre visão, propriocepção e controle motor

Olhar Neurológico

Pequenas variações na amplitude do círculo, na velocidade ou no foco atencional alteram completamente o desafio neural. Isso mostra como o Pilates clássico, mesmo em sua forma original, já oferece variabilidade suficiente para estimular aprendizado motor.

4. Spine Stretch Forward

Modulação de tônus e percepção corporal

Spine Stretch: Posição inicial
Spine Stretch: Posição inicial (Esboço)
Spine Stretch: Flexão
Spine Stretch: Flexão (Esboço)
Spine Stretch: Extensão máxima
Spine Stretch: Extensão máxima (Esboço)

O Spine Stretch Forward é frequentemente interpretado apenas como um exercício de alongamento. No entanto, sob o olhar da neurologia, ele atua principalmente na modulação do tônus muscular e na percepção do eixo corporal.

O exercício favorece:

  • Ajuste do tônus postural
  • Consciência do alinhamento axial
  • Relação entre respiração e movimento

Olhar Neurológico

Do ponto de vista neural, trata-se de um exercício que permite ao sistema nervoso explorar novas organizações de movimento com menor carga, favorecendo estados de maior percepção e controle voluntário.

5. Swan

Extensão como organização global do movimento

Swan: Decúbito ventral
Swan: Decúbito ventral (Esboço)
Swan: Extensão
Swan: Extensão (Esboço)

O Swan, quando observado neurologicamente, deixa de ser apenas um exercício de extensão da coluna e passa a ser uma proposta de organização global do corpo no espaço.

Ele envolve:

  • Ativação coordenada da cadeia extensora
  • Integração entre coluna, membros superiores e controle cervical
  • Ajustes posturais dinâmicos frente à ação da gravidade

Olhar Neurológico

Neurologicamente, o Swan desafia o sistema nervoso a organizar o corpo em extensão sem gerar excesso de tensão, favorecendo padrões mais eficientes e funcionais, especialmente importantes para postura e mobilidade ao longo da vida.

O que esses exercícios têm em comum?

Apesar de suas diferenças, todos esses exercícios clássicos compartilham um mesmo fundamento: eles exigem controle motor, atenção, intenção e adaptação neural.

Não é o exercício em si que determina o aprendizado, mas a forma como ele é proposto. Os exercícios clássicos, quando orientado pelo olhar da neurologia, se mostra não apenas atual, mas extremamente sofisticado em sua capacidade de estimular o sistema nervoso.

“Ensinar Pilates é, portanto, ensinar o cérebro a organizar movimento.”

Considerações finais

O Pilates clássico não precisa ser modificado para ser moderno. Ele precisa ser compreendido. A neurologia do movimento nos permite enxergar o método em sua profundidade, respeitando sua origem e potencializando seus efeitos.

Cada exercício é uma oportunidade de aprendizado neural. Cada aula é uma intervenção no sistema nervoso.

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