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Pilates e Neurologia:
Por que todo Pilates é, antes de tudo, neuro

Karla Seleme
Por Karla Seleme
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Este áudio foi organizado com apoio de inteligência artificial. Algumas palavras podem apresentar pequenas variações, sem comprometer o sentido e a mensagem principal do conteúdo.

O Pilates já nasceu neurológico– seja Clássico ou Contemporâneo.

Desde o princípio, quando comecei a entender que eu poderia unir duas grandes paixões da minha vida profissional, O Pilates e a Neurologia, eu entendi que eu não estou "misturando" temas sem sentido ou divergentes e sim, me aprofundando em algo que já estava lá.

Falar sobre Pilates é, inevitavelmente, falar de sistema nervoso. Mesmo que Joseph Pilates nunca tenha utilizado o termo "neurociência" e/ou, muito menos, "neuropilates", sua proposta metodológica sempre esteve alinhada ao que hoje entendemos como controle motor, aprendizado e reaprendizado de movimento, temas pertencentes ao campo da neurologia no que concerne a como o movimento acontece.

Quando o método fala sobre concentração, controle e precisão de movimento estamos falando de funções não diretamente musculares e sim atribuições do sistema nervoso central.

"O movimento não acontece somente no músculo. O músculo executa aquilo que o cérebro organiza."

Infográfico: Pilates e Neurociência - O Cérebro no Comando do Movimento
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O cérebro no comando: como o Pilates atua na organização neurológica do movimento.

O método Pilates como sistema de controle motor

O controle motor é a área da neurologia que estuda como o sistema nervoso planeja, organiza, executa e ajusta o movimento humano. Quando observamos o Pilates sob essa ótica, fica evidente que o método não se propõe apenas a fortalecer ou alongar, mas a organizar padrões motores eficientes.

Para que cada exercício aconteça precisamos de:

1Atenção direcionada
2Planejamento motor
3Integração sensorial
4Feedback constante

Todos esses pontos abordados são exatamente os recursos que estão envolvidos no aprendizado motor. Por isso, não faz sentido ensinar Pilates de forma eficaz sem considerar o funcionamento do sistema nervoso.

Intenção Pedagógica

A diferença não está na sequência de exercícios, mas na intenção pedagógica: ensinar o corpo a se mover melhor, e não apenas a repetir movimentos. (Intenção pedagógica é como você, como instrutor, irá planejar suas ações para promover o aprendizado e o desenvolvimento dos seus alunos/pacientes.)

Clássico ou contemporâneo: a neuro não muda

Existe, muitas vezes, uma discussão sobre qual linha do Pilates é A "melhor". Se atualmente acredito que essa discussão tem perdido força, quando partimos do ponto de vista neurológico, essa pergunta perde ainda mais força. O sistema nervoso não reconhece rótulos metodológicos, ele responde a estímulos.

Seja no Pilates clássico ou contemporâneo, o que realmente importa é:

  • Como o exercício é apresentado
  • Quais informações sensoriais são oferecidas
  • Como a atenção do aluno é direcionada
  • Se há espaço para adaptação, erro e ajuste
"Pensar Pilates sem pensar em neurologia é reduzir o método a uma prática mecânica. Pensar Pilates como neuro é compreender que cada aula é uma oportunidade de reorganização neural."

Aprendizado e reaprendizado de movimento

A neurologia mostra que o aprendizado motor depende de variabilidade, intenção, contexto e significado. Reduzir o aprendizado de movimento a somente realizar inúmeras repetições é um dos maiores erros no processo de aprendizado.

No Pilates, isso se traduz em:

  • Ajustar exercícios à história motora do aluno
  • Respeitar o tempo de processamento do sistema nervoso
  • Modificar estímulos quando o padrão não se organiza
  • Entender que cada corpo aprende de forma diferente

Esse olhar se torna ainda mais primordial na reabilitação neurológica. Em condições como Esclerose Múltipla, Alzheimer, sequelas de AVC e outras disfunções do sistema nervoso, o objetivo não é "corrigir" o movimento, mas criar novas possibilidades motoras.

O papel do professor: de executor a educador do movimento

Ensinar Pilates a partir da neurologia exige uma mudança de postura profissional. O professor deixa de ser apenas um corretor de execução e passa a ser um facilitador do aprendizado motor.

Isso significa:

  • Observar mais e interferir melhor
  • Saber quando progredir e quando regredir
  • Entender que "errar" faz parte do processo neural
  • Valorizar a qualidade do movimento, não a performance estética
"A experiência clínica e o aprofundamento em neurologia mostram que o corpo aprende quando o cérebro entende. E o cérebro aprende quando o estímulo faz sentido."

Considerações finais

O Pilates permanece atual porque não se baseia em modismos, mas em princípios universais do movimento humano. A neurologia apenas nos oferece as ferramentas para compreender, explicar e aplicar esses princípios com maior consciência e responsabilidade.

Quando ensinamos Pilates com esse olhar, deixamos de ensinar exercícios e passamos a ensinar o corpo a aprender movimento.


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