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Ouça este artigo: Pilates e Neurologia
Este áudio foi organizado com apoio de inteligência artificial. Algumas palavras podem apresentar pequenas variações, sem comprometer o sentido e a mensagem principal do conteúdo.
O Pilates já nasceu neurológico– seja Clássico ou Contemporâneo.
Desde o princípio, quando comecei a entender que eu poderia unir duas grandes paixões da minha vida profissional, O Pilates e a Neurologia, eu entendi que eu não estou "misturando" temas sem sentido ou divergentes e sim, me aprofundando em algo que já estava lá.
Falar sobre Pilates é, inevitavelmente, falar de sistema nervoso. Mesmo que Joseph Pilates nunca tenha utilizado o termo "neurociência" e/ou, muito menos, "neuropilates", sua proposta metodológica sempre esteve alinhada ao que hoje entendemos como controle motor, aprendizado e reaprendizado de movimento, temas pertencentes ao campo da neurologia no que concerne a como o movimento acontece.
Quando o método fala sobre concentração, controle e precisão de movimento estamos falando de funções não diretamente musculares e sim atribuições do sistema nervoso central.

O método Pilates como sistema de controle motor
O controle motor é a área da neurologia que estuda como o sistema nervoso planeja, organiza, executa e ajusta o movimento humano. Quando observamos o Pilates sob essa ótica, fica evidente que o método não se propõe apenas a fortalecer ou alongar, mas a organizar padrões motores eficientes.
Para que cada exercício aconteça precisamos de:
Todos esses pontos abordados são exatamente os recursos que estão envolvidos no aprendizado motor. Por isso, não faz sentido ensinar Pilates de forma eficaz sem considerar o funcionamento do sistema nervoso.
Intenção Pedagógica
Clássico ou contemporâneo: a neuro não muda
Existe, muitas vezes, uma discussão sobre qual linha do Pilates é A "melhor". Se atualmente acredito que essa discussão tem perdido força, quando partimos do ponto de vista neurológico, essa pergunta perde ainda mais força. O sistema nervoso não reconhece rótulos metodológicos, ele responde a estímulos.
Seja no Pilates clássico ou contemporâneo, o que realmente importa é:
- Como o exercício é apresentado
- Quais informações sensoriais são oferecidas
- Como a atenção do aluno é direcionada
- Se há espaço para adaptação, erro e ajuste
Aprendizado e reaprendizado de movimento
A neurologia mostra que o aprendizado motor depende de variabilidade, intenção, contexto e significado. Reduzir o aprendizado de movimento a somente realizar inúmeras repetições é um dos maiores erros no processo de aprendizado.
No Pilates, isso se traduz em:
- Ajustar exercícios à história motora do aluno
- Respeitar o tempo de processamento do sistema nervoso
- Modificar estímulos quando o padrão não se organiza
- Entender que cada corpo aprende de forma diferente
Esse olhar se torna ainda mais primordial na reabilitação neurológica. Em condições como Esclerose Múltipla, Alzheimer, sequelas de AVC e outras disfunções do sistema nervoso, o objetivo não é "corrigir" o movimento, mas criar novas possibilidades motoras.
O papel do professor: de executor a educador do movimento
Ensinar Pilates a partir da neurologia exige uma mudança de postura profissional. O professor deixa de ser apenas um corretor de execução e passa a ser um facilitador do aprendizado motor.
Isso significa:
- Observar mais e interferir melhor
- Saber quando progredir e quando regredir
- Entender que "errar" faz parte do processo neural
- Valorizar a qualidade do movimento, não a performance estética
Considerações finais
O Pilates permanece atual porque não se baseia em modismos, mas em princípios universais do movimento humano. A neurologia apenas nos oferece as ferramentas para compreender, explicar e aplicar esses princípios com maior consciência e responsabilidade.
Quando ensinamos Pilates com esse olhar, deixamos de ensinar exercícios e passamos a ensinar o corpo a aprender movimento.
